A NBR 7200 e as instruções de serviço do DNIT estabelecem os critérios para execução de revestimentos asfálticos, mas em Goiânia o projetista precisa ir além da tabela: o solo laterítico predominante no município — um latossolo vermelho argiloso que cobre a maior parte da mancha urbana entre os córregos Botafogo e Capim Puba — responde de forma muito particular à compactação e à variação sazonal de umidade. A capital goiana, situada a 749 metros de altitude sobre o Planalto Central, experimenta uma estação seca prolongada que induz retração em solos finos e um verão com chuvas concentradas que saturam rapidamente as camadas superficiais. Um projeto de pavimento flexível que ignore esse ciclo vai apresentar trincas por fadiga e afundamentos nas trilhas de roda antes mesmo da segunda operação tapa-buraco. Por isso, o dimensionamento começa com a caracterização geotécnica completa do subleito, correlacionando CBR in situ, expansão e granulometria — e aqui o ensaio de granulometria é a primeira etapa para classificar o material no grupo LA' ou LG' da metodologia tradicional do DNER.
O segredo do pavimento flexível em Goiânia está na estabilização do subleito laterítico: umedecer na seca e drenar nas chuvas é o ciclo que define a vida útil do revestimento.
Procedimento e escopo
Considerações locais
O erro mais comum que vemos em obras viárias de Goiânia é a dispensa do ensaio de CBR em amostras indeformadas ou moldadas na energia errada. O construtor retira uma amostra do subleito, compacta no Proctor normal e obtém um CBR de 12%, acreditando que o solo é competente. Mas o tráfego real da via — especialmente em corredores de ônibus como a Avenida 85 ou avenidas alimentadoras dos polos industriais — exige que o CBR seja determinado na energia de compactação correspondente à camada, e frequentemente o valor cai para 5% ou menos na energia intermediária. Outro equívoco frequente é ignorar a expansão do material: solos com expansão acima de 2% no ensaio CBR, mesmo com ISC elevado, tendem a bombar na primeira estação chuvosa, gerando ondulações e desagregação da capa asfáltica. O projeto de pavimento flexível precisa prever drenagem subsuperficial profunda e, em casos críticos, uma camada drenante entre o subleito e a sub-base para aliviar as pressões neutras que se desenvolvem durante a infiltração pluvial. Sem essa precaução, o investimento em fresagem e recapeamento será recorrente e muito mais oneroso do que a investigação geotécnica inicial.
Normas de referência
ABNT NBR 7200: Execução de revestimentos asfálticos — Procedimento (versão vigente), DNIT 031/2006-ES: Pavimentos flexíveis — Concreto asfáltico — Especificação de serviço, DNER-ME 049/94: Solos — Determinação do Índice de Suporte Califórnia (CBR) com medidas de expansão, ABNT NBR 15943: Misturas asfálticas — Dosagem pelo método Marshall — Requisitos e procedimentos
Serviços técnicos associados
Dimensionamento Estrutural e Estudo de Tráfego
Determinação do número N a partir da contagem volumétrica classificada, definição das espessuras de reforço, sub-base, base e revestimento pelo método do DNER, e especificação do tipo de CAP (50/70 ou 30/45) conforme a região e o volume de tráfego previsto para a via em Goiânia.
Controle Tecnológico de Execução
Acompanhamento completo da obra com ensaios de grau de compactação (frasco de areia ou densímetro nuclear), teor de betume, granulometria da mistura asfáltica, temperatura de aplicação e extração de corpos de prova para verificação do volume de vazios e estabilidade Marshall.
Parâmetros típicos
Perguntas comuns
Qual o investimento médio para um projeto de pavimento flexível em Goiânia?
O custo de projeto para um pavimento flexível novo em Goiânia parte de aproximadamente R$ 100.000, variando conforme a extensão da via, a complexidade da investigação geotécnica e o número de camadas a dimensionar. Esse valor contempla a caracterização completa do subleito, o estudo de tráfego, o dimensionamento estrutural e a emissão da ART do projeto.
Qual a diferença entre o método do DNER e o novo método MeDiNa para dimensionamento?
O método tradicional do DNER é empírico e baseia-se no CBR e nos coeficientes estruturais das camadas, enquanto o MeDiNa (Método de Dimensionamento Nacional) é mecanístico-empírico e analisa tensões, deformações e dano acumulado por fadiga. Para vias urbanas de Goiânia com tráfego leve a médio, o método do DNER ainda é amplamente aceito; para rodovias e corredores de tráfego pesado, o MeDiNa oferece uma previsão de vida útil mais refinada.
Em Goiânia é obrigatório usar CAP 50/70 ou pode-se especificar ligante modificado por polímero?
A especificação padrão para a maior parte das vias urbanas em Goiânia é o CAP 50/70, conforme a ABNT NBR 7200. Em interseções de alto cisalhamento, pontos de ônibus com frenagem constante ou vias de tráfego muito pesado, recomenda-se o uso de asfalto modificado por polímero (AMP 60/85) para aumentar a resistência à deformação permanente. A escolha do ligante deve ser justificada no projeto com base no número N e nas condições climáticas locais.
Quanto tempo leva para executar um pavimento flexível completo em um estacionamento de 2.000 m²?
A execução de um pavimento flexível em uma área de 2.000 m² em Goiânia, considerando a preparação do subleito, execução de sub-base e base granular, imprimação e aplicação de concreto asfáltico com 5 cm de espessura, leva em média 12 a 18 dias úteis. O prazo depende das condições climáticas — no período chuvoso, a umidade do solo pode exigir pausas para aeração e recompactação — e da logística de usinagem e transporte da massa asfáltica. Mais info.
